O mito nos influencia involuntariamente: é exatamente pelo fato de nos influenciarmos por algo que não desejamos que torna uma história um fato ou uma personagem um mito. A importância do mito está no fato vital que ele simboliza. A princípio este fato deve ser obscuro caso contrário ele não seria mito: é o segredo e o anonimato o que lhe conferem significado na rede intricada das relações que se estabelecem dentro de um determinado grupo social. Não há mito enquanto for lícito manter-se dentro das evidências e exprimi-las duma maneira manifesta e direta. Para nós o mito inexiste nas verdades científicas todavia quando ele exprime um fato obscuro como é o caso de uma paixão ligada à morte com fins destrutivos para aqueles que a ele se abandonam com todas as suas forças aí sim para nós o mito tem muito sentido. É que nós queremos salvar esta paixão e queremos bem a essa infelicidade enquanto as nossas morais oficiais e a nossa razão a condenam. Assim vive-se pela imaginação a obscuridade do mito da paixão sem contudo ter ciência clara dele.